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Tendências no segmento de papelão ondulado Imprimir E-mail
Escrito por Sergio Barbosa de Oliveira   
Qui, 23 de Dezembro de 2010

Segundo a As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra de Papelão Ondulado, ABPO, as vendas de papelão ondulado poderão bater o recorde em 2010, com projeção de crescimento de 6%, acompanhando o ritmo de expansão do Produto Interno Bruto, PIB. Além do crescimento de mercado, verifica-se também uma demanda cada vez ­maior por produtos de melhor qualidade. Diversos aper­fei­çoa­men­tos técnicos têm permitido aos convertedores atender a essas expectativas.

Impressão flexográfica
A flexografia é o processo mais utilizado para impressão em papelão ondulado. Por utilizar forma (clichê) de bai­xa dureza, a impressão flexográfica não amassa as ondas da chapa. A estrutura da impressora apresenta diferenças em relação aos equipamentos usados na impressão de embalagens fle­xí­veis. As unidades de impressão são dispostas em linha. O sistema de alimentação conta com uma mesa de empilhamento, onde são depositadas as chapas (semelhante à alimentação em folha nas máquinas offset planas). Na saí­da, antes da mesa de recepção das chapas impressas, pode haver uma unidade slotter (conjunto de facas circulares de corte e vinco) para cai­xas do tipo normal ou um sistema de corte e vinco rotativo para produção de cai­xas com diferentes projetos.
A qualidade das imagens impressas sobre papelão ondulado vem melhorando gra­dual­men­te, atendendo às necessidades do mercado. Hoje, já se imprimem cro­mias com até 40 linhas por centímetro. Essa melhoria tornou-se possível graças ao aper­fei­çoa­men­to das tec­no­lo­gias re­la­cio­na­das ao clichê, à pré-​­montagem, ao anilox, ao suporte e às tintas e impressoras.

Clichê e pré-​­montagem
Ini­cial­men­te, os clichês eram con­fec­cio­na­dos com espessuras de 5 mm e 6,35 mm e suas durezas va­ria­vam entre 25 a 35 Shore A. Ambas as va­riá­veis interferem diretamente na qualidade dos impressos — quanto ­maior a espessura do clichê menor a sua dureza, consequentemente, menor é a sustentação das retículas e mais intenso é o squash. Além disso, a pré-​­montagem era efe­tua­da sobre uma base de po­liés­ter, com utilização de cola de contato, procedimento que não garantia o per­fei­to registro ou justaposição entre cores. Esse sistema de fixação não garantia uniformidade resultando em va­ria­ções de pressão e, como resultado, va­ria­ções de densidade de cor. Atual­men­te, as espessuras di­mi­nuí­ram para 2,84 mm e 3,84 mm, a dureza au­men­tou entre 35 a 45 Shore A e a pré-​­montagem é rea­li­za­da sobre um acol­choa­do que totaliza a espessura específica para cada máquina, além de absorver os batimentos e vibrações durante a impressão. A fixação dos clichês é fei­ta com fitas dupla face.

Clichê grosso                                                                                               Clichê fino

Montagem sobre o poliéster                                                                                                                                                        Montagem sobre o acolchoado

Anilox
Os cilindros anilox utilizados na impressão de papelão ondulado eram gravados mecanicamente sobre uma superfície metálica e pos­te­rior­men­te revestidos de cromo. As li­nea­tu­ras va­ria­vam de 60 a 160 linhas por centímetro. Como a li­nea­tu­ra do anilox tem que ser de quatro a cinco vezes ­maior que a lineatura do clichê, isso limitava mui­to a resolução que podia ser obtida. Com o avanço da gravação a laser sobre superfície cerâmica tornou-se possível alcançar li­nea­tu­ras de até 240 lpc e com um controle mais apurado da capacidade volumétrica e ­maior durabilidade dos cilindros.

Substrato
Verifica-se tendência de utilização de ondas menores (onda E) permitindo a redução do efei­to “costela” e melhorando a qualidade da imagem impressa. Para padrões mais elevados de qualidade pode-se decidir pela laminação (revestimento) da chapa com papel cou­ché.

Tintas
Em geral, as tintas utilizadas para impressão de papelão ondulado são à base de água. Para a produção de impressos em policromia algumas características são ne­ces­sá­rias:

  • As tintas devem ser transparentes, diferentes das tintas para traço, que são opacas
  • O uso de pigmentos é cada vez mais comum, dei­xan­do para traz a utilização dos corantes, obtendo-se assim, um grau de solidez ­maior
  • Tintas mais resistentes e rápidas na secagem
  • Controles reo­ló­gi­cos das tintas mais apurados, controlando a viscosidade e o pH da mesma

Sistema de entintagem
Além do anilox cerâmico gravado a laser, é cada vez mais frequente a utilização do sistema encapsulado (conhecido como “raspa”), que trabalha com duas lâminas em uma câmara vedada nas extremidades. Com essa tecnologia a dosagem da tinta é mais efi­cien­te e controlável.

Impressoras
Máquinas que eram totalmente ma­nuais vêm sendo subs­ti­tuí­das por impressoras au­to­má­ti­cas, permitindo a redução do tempo de acerto. Outras me­lho­rias in­cluem alimentação das chapas por sucção, ­maior número de unidades de impressão, troca rápida de anilox com utilização de camisas, sistema de secagem entre cores, unidades para aplicação de verniz ul­tra­vio­le­ta e sloter au­to­má­ti­co para acerto do formato das cai­xas.

Sergio Barbosa de Oliveira é professor de Rotogravura e Flexografia da Escola Senai Theobaldo De Nigris e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 75