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Cuidados com a bobina de papel e sua relação com a produtividade da gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Enéias Nunes da Silva   
Qui, 01 de Maio de 2008
Medidas importantes no manuseio do papel têm impacto significativo na produtividade.

Com a redução das margens de lucro e a competitividade crescente, muitas empresas buscam diminuir os desperdícios nos seus processos produtivos.Para isso, quase sempre planejam projetos dispendiosos e nem sempre eficazes. No entanto, na maior parte das vezes podemos encontrar oportunidades de melhoria fáceis de serem realizadas e que fazem diferença na redução dos custos.
Neste artigo, vamos mostrar como cuidados simples no manuseio das bobinas de máquinas rotativas podem redundar em boa economia através da redução das perdas no processo.

Atualmente, os fabricantes de papel possuem rígidos controles de qualidade. Apesar disso, podem ocorrer eventuais falhas no processo — surgimento de fungos, pingo d’água, desprendimento, má formação e até mesmo rompimento do papel por insetos. Esses problemas são difíceis de serem detectados no recebimento e podem acarretar até a parada da máquina impressora. Falhas durante o processo de rebobinamento podem causar defeitos nas bobinas, como lateral “mole”, marcas de “correntes” e “telescopagem”. Tais defeitos podem gerar outros, na fase de impressão, como variação de registro, falhas no impresso, redução da velocidade e até mesmo a quebra do material em máquina.

No transporte e armazenamento das bobinas deve-se tomar alguns cuidados para evitar o amassamento do tubete, deformação da bobina (bobina ovalada ou côncava), avarias no corpo ou na extremidade, umedecimento, ressecamento ou enrugamento (em função da variação da umidade ambiente).
Problemas dessa natureza têm de ser evitados ou, pelo menos, detectados com antecedência, impedindo paradas de máquina ou redução de produtividade.

Na imagem, um exemplo de perda significativa, causada por danos à bobina. Trata-se de um caso real.
Na etiqueta de identificação estava descrito que o papel era revestido, com largura de 0,84 m, gramatura de 75 g/m², peso de 777 kg. O diâmetro da bobina era de 1.000 mm. A parte danificada na extremidade correspondia a aproximadamente 40 mm. Para o cálculo de perda estimada provocada por dano à bobina, utilizamos como referência a tabela da página seguinte. Os 40 mm do exemplo correspondem a uma perda de 15,52% da bobina. Podemos calcular a perda com a seguinte fórmula:

(777 kg × 15,52) / 100 = 120,59 kg

Considerando-se um custo médio do kg desse papel como R$ 4,00, temos o valor estimado do prejuízo pelo dano à bobina:

120,59 × R$ 4,00 = R$ 482,36

No entanto, mais importante é considerar quanto a empresa deixou de produzir — nesse exemplo seria um total de 3.309 cadernos. Chega-se a esse número pelo seguinte cálculo:

120,59 kg / (0,84 m largura da bobina × 0,075 kg/m² gramatura) = 1.914,1269 metros lineares

Dividindo-se essa metragem linear desperdiçada — 1.914,1269 m — por um perímetro de impressão de 0,578 m, teremos a quantidade de cadernos que a empresa deixou de produzir em função da perda provocada pela avaria na extremidade da bobina (4 cm). O perímetro de impressão de 0,578 m foi o de uma máquina tomada como referência e equivale a um caderno de 16 páginas de 21 cm × 28 cm.

1.914,1269 / 0,578 = 3.311,6382 cadernos

A quantidade de cadernos não produzidos, e que deixaria de ser entregue ao cliente, significa uma redução de faturamento para a gráfica, aumentando consideravelmente a dimensão do prejuízo.

Cuidados essenciais

Para evitar danos às bobinas, algumas medidas devem ser observadas. A seguir, comentamos as mais importantes.
A armazenagem das bobinas deve ser feita no sentido vertical, preferencialmente agrupando-se bobinas de mesmo diâmetro. Durante seu transporte, as bobinas não podem ser arrastadas ou baterem no chão. O operador da empilhadeira deve evitar transportar duas bobinas simultaneamente e tem de ajustar constantemente a pressão do clamp (braçadeira), de acordo com as especificações.

O ambiente de impressão deve ter o piso isento de sujeiras, buracos ou irregularidades, pois do contrário poderão ocorrer avarias no corpo ou nas extremidades da bobina. Ao virar a bobina, o operador deverá utilizar o dispositivo adequado que o auxilie nessa operação e sempre fazê-lo com a bobina embalada. Há relatos de operadores que realizam essa operação utilizando pedaços de madeira com cantos vivos.
Nas gráficas, normalmente existem áreas de espera, destinadas às bobinas em aguardo para entrada em máquina. Normalmente, a bobina fica posicionada na horizontal, o que é inadequado, pois em função do peso ela pode sofrer deformações, principalmente se submetida à espera por um período longo. Para amenizar o problema aconselha-se utilizar o procedimento PEPS (Primeira que Entra, Primeira que Sai).
Durante a retirada da embalagem e colocação da bobina em máquina, o operador tem de realizar uma verificação criteriosa do material, buscando identificar eventuais irregularidades. Um outro exemplo de defeito é o respingo de cola na lateral. Aparentemente inofensivo, o respingo de cola (provavelmente originado na colocação da embalagem) pode causar a quebra do papel durante a impressão. Mesmo que a parada resultante seja de apenas 15 minutos, o prejuízo será importante. Supondo, por exemplo, uma máquina que produza a média de 40.000 cadernos por hora, em 15 minutos deixarão de ser impressos 10.0000 cadernos.

Com ações relativamente simples, é possível evitar grandes desperdícios durante a produção. Os cuidados relatados, uma vez observados, implicarão em melhoria imediata da produtividade de qualquer gráfica com impressão rotativa, principalmente na área editorial, que trabalha com altas velocidades de produção em máquina.

Enéias Nunes da Silva é professor do Curso Superior e dos cursos de pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na Edição 61