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Vantagens da impressão offset com sistema anilox de dosagem de tinta Imprimir E-mail
Escrito por Antonio Paulo Rodrigues Fernandez, com a colaboração de Jefferson Zompero e Gerson Alves de Almeida   
Sex, 05 de Novembro de 2010

Esse sistema, introduzido pri­mei­ra­men­te pela Hei­del­berg, incorpora a uma impressora offset a efi­ciên­cia de dosagem de tinta do sistema anilox, já tra­di­cio­nal em flexografia. As vantagens prin­ci­pais são o setup mais rápido, menos va­ria­ções de tintagem ao longo da tiragem e menos manchas ou de­fei­tos de tintagem.
Para evi­den­ciar as vantagens desse sistema, estamos apresentando neste artigo alguns casos que acontecem tipicamente na impressão offset.
Na figura 1 mostramos uma si­tua­ção na qual é necessário imprimir uma única embalagem por folha.
Mesmo que o impressor regule adequadamente a dis­tri­bui­ção de tinta, haverá a tendência de formação de manchas resultantes do excesso da mesma sobre a área reticulada. Isso acontece porque é necessário aplicar mais tinta na zona do chapado. No entanto, o movimento dos rolos “bai­la­ri­nos” vai conduzir esse volume ­maior também para as ­­áreas reticuladas adjacentes. Não seria recomendado desativar o movimento de oscilação dos rolos porque isso cau­sa­ria ou­tros problemas de dis­tri­bui­ção de tinta. Nessa si­tua­ção não há como con­ci­liar as duas necessidades. Normalmente o impressor terá de eleger uma das duas ­­áreas, chapada ou reticulada, como base para o ajuste do tin­tei­ro, comprometendo a qualidade geral da impressão.


Vamos agora imaginar ou­tra si­tua­ção, em que a área de impressão inclui mui­tas embalagens como essa, repetidas. Nesse caso, as dificuldades do impressor serão ain­da maio­res.
Em ou­tros casos, os sistemas de tintagem simplesmente não são su­fi­cien­te­men­te eficazes em renovar adequadamente o filme de tinta a cada ciclo de impressão. Pode, então, ocorrer uma va­ria­ção constante da carga de tinta ao longo da tiragem e o surgimento de “fantasmas” (figura 2).
Esses dois problemas, que ocorrem com relativa frequência, já são su­fi­cien­tes para evi­den­ciar que o sistema de tintagem offset convencio­nal não consegue dar conta de todas as demandas.
No sistema de tintagem ba­sea­do em cilindro anilox, usado há mui­to tempo na flexografia, a carga de tinta é sempre homogênea. A espessura do filme de tinta em qualquer ponto da área de grafismo é sempre a mesma. A renovação da carga de tinta é constante e li­near — consequentemente é bem mais difícil haver diferenças de cor entre impressos de uma mesma tiragem. Não há fai­xas de acúmulo de tinta paralelas ou perpendiculares aos cilindros impressores. Não existe a possibilidade de geração de imagens fantasmas por cau­sa da tintagem. O que pode ain­da acontecer, embora raramente, são as fai­xas de batida de rolos.
O fun­cio­na­men­to do sistema de tintagem offset anilox, descrito a seguir, está representado na figura 3:
1. Mecanismo au­to­má­ti­co de suprimento de tinta para o tin­tei­ro. O sistema fun­cio­na por meio de dispositivos pneu­má­ti­cos que injetam a tinta para dentro da câmara do tin­tei­ro.
2. Tin­tei­ro com câmara e lâminas raspadoras. Esse tipo de tin­tei­ro também é conhecido como sistema doctor blade. Dentro da câmara a tinta é espalhada por toda a extensão do cilindro anilox, formando uma espessa camada de tinta.
3. Cilindro anilox. É cons­ti­tuí­do por ma­te­rial cerâmico de alta dureza e resistência su­per­fi­cial e gravado com pequenas cavidades, os al­véo­los, que vão conter (dosar) a tinta. Os al­véo­los e a superfície externa do cilindro anilox recebem uma espessa camada de tinta da câmara de contenção do tin­tei­ro. Pos­te­rior­men­te, lâminas raspadoras retiram o excesso de tinta da superfície externa do anilox, dei­xan­do-​­a somente dentro dos al­véo­los. A seguir a tinta que ficou nos al­véo­los é transferida para o rolo tintador.
O controle da carga de tinta é fei­to pelo aquecimento ou res­fria­men­to do cilindro anilox. Para au­men­tar a carga eleva-​­se a temperatura (o que gera redução do tack da tinta). Para di­mi­nuir a carga de tinta resfria-​­se o cilindro e o tack da tinta é au­men­ta­do, reduzindo-​­se assim o grau de transferência da mesma.
3A. Três rolos utilizados na limpeza do sistema de tintagem, sendo dois de borracha, que entram em contato com o rolo anilox, e um revestido com plástico de alta rigidez. Eles também servem para manter uma melhor condição de emul­sio­na­men­to entre a tinta e a solução de molhagem. Podem ser acio­na­dos conforme a necessidade durante a impressão. O rolo rígido é um “bai­la­ri­no” com movimento oscilatório ­axial, para eliminar es­trias de acúmulo de tinta.
4. Rolo tintador, revestido por uma espécie de blanqueta es­pe­cial, que pode ser subs­ti­tuí­da em caso de desgaste cau­sa­do pelo atrito constante com o anilox. Possui diâ­me­tro e vão de mesmas dimensões que os dos cilindros porta-​­chapa e anilox, o que impossibilita o surgimento de imagens fantasmas.
A cada ciclo de impressão o rolo tintador é abastecido com uma nova camada de tinta. Parte dela é transferida para a chapa. Assim, a cada volta dos cilindros, há renovação par­cial da tinta.
5. Cilindro porta-​­chapa.
6. Cilindro porta-​­blanqueta.
7. Cilindro de contrapressão, que, em alguns casos, poderá ter diâ­me­tro duplo.

 

Em resumo, essas são as vantagens do sistema anilox em relação à tintagem offset con­ven­cio­nal:

  • Menos desperdício de papel no acerto de máquina, pois a carga de tinta já está praticamente certa para rodar desde o início. Em média gastam-​­se 10 folhas para acertar a máquina. Consequentemente, o tempo de acerto também é menor.
  • Não surgem imagens fantasmas durante a impressão.
  • Não são produzidas fai­xas de tinta paralelas ao eixo de rotação dos cilindros impressores devido a irregularidades na dis­tri­bui­ção da tinta, pois não há rolo tomador de tinta.
  • Não existem rolos dis­tri­bui­do­res, logo não há falha de dis­tri­bui­ção perimétrica da película de tinta.
  • Per­fei­ta ho­mo­ge­nei­da­de de dis­tri­bui­ção de tinta, tanto ra­dial como axial­men­te.
  • Carga de tinta estável ao longo da tiragem.
  • Excelente repetibilidade de resultados cromáticos entre reim­pres­sões.
    Uma possível desvantagem apontada para a tintagem anilox é a impossibilidade de ajustes de carga de tinta di­fe­ren­cia­dos por zona. Por isso, o ge­ren­cia­men­to de cor na pré-​­impressão deve ser efi­cien­te de modo a produzir arquivos per­fei­ta­men­te ajustados ao perfil da impressora. Se esse nível de padronização for alcançado, a impossibilidade de ajustes por zona pode ser até uma vantagem a mais, já que elimina uma va­riá­vel do processo e acelera ain­da mais o acerto.

Antonio Paulo Rodrigues Fernandez é técnico de ensino da Escola Senai Theobaldo De Nigris, especialista nas áreas de pré-impressão, impressão offset e gerenciamento de cores. Colaboraram Jefferson Zompero e Gerson Alves de Almeida, instrutores de offset.

Texto publicado na edição nº 74