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FSC e Cerflor, trocando em miúdos Imprimir E-mail
Escrito por Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz   
Sex, 05 de Novembro de 2010

As certificações ambientais têm se multiplicado pelo mercado. Existe uma infinidade de tipos e nomes, mas apenas uma definição oficial. De acordo com a Norma Técnica ABNT NBR ISO 14020, “a rotulagem ambiental — declaração ambiental — é a afirmação que indica os aspectos ambientais de um produto ou serviço”. A Europa foi precursora dos primeiros rótulos ambientais obrigatórios, que surgiram na década de 1940. Eles tinham um caráter de advertência por destacar a presença de substâncias químicas potencialmente prejudiciais à saúde humana. Os selos verdes surgiram no início dos anos 70 devido à pressão de organismos ambientalistas. O primeiro deles foi o alemão Blue Angel, que atesta o compromisso das empresas em relação à proteção ambiental. Em 1988 foi a vez do Canadá desenvolver o Eco-​logo que possui hoje mais de 300 categorias para certificação. Em 1989, os Estados Unidos e o Japão criaram seus selos; o Japão desenvolveu o selo Ecomark, que já se encontra em conformidade com a série de normas ISO de rotulagem 
ambiental (ISO 14020 e 14024).

Para o mercado de comunicação gráfica nacional, duas certificações são mais requisitadas pelos clientes de serviços de impressão: Cerflor e FSC. Ambas são certificações voluntárias de manejo florestal que têm se desenvolvido internacionalmente desde a década de 1980.

FSC
O FSC, Forest Stewardship Council [Conselho de Manejo Florestal], é uma organização não-​governamental, internacional e independente, formada por ambientalistas, pesquisadores, representantes de movimentos sociais, produtores rurais, empresários e representantes de populações tradicionais, que foi fundada em 1993 com o objetivo de acreditar certificadoras. Ela não emite certificados, mas garante que aqueles emitidos pelas certificadoras obedeçam a padrões de qualidade. Estas desenvolvem um método para certificação baseado nos Princípios e Critérios do FSC, adaptando-​o para a realidade de cada região ou sistema de produção. A certificação FSC segue 10 princípios:

  1. Atendimento às leis e aos princípios 
e critérios do FSC
  2. Posse e direito de uso da terra
  3. Direitos dos povos indígenas
  4. Relação comunitária e direito dos trabalhadores
  5. Benefícios da floresta
  6. Impacto ambiental
  7. Plano de manejo
  8. Monitoramento e avaliação
  9. Floresta de alto valor para a conservação
  10. Plantações florestais

Cerflor
Desde 1996, a So­cie­da­de Bra­si­lei­ra de Silvicultura (SBS), em parceria com ou­tras entidades e empresas, vem trabalhando no programa Cerflor, tendo estabelecido um acordo de coo­pe­ra­ção com a As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra de Normas Técnicas (ABNT), no sentido de desenvolver os prin­cí­pios e cri­té­rios para o setor. No entanto, o Cerflor, Programa Bra­si­lei­ro de Certificação Florestal, só foi lançado em 2002, no Fórum de Competitividade da Ca­deia Produtiva de Ma­dei­ra e Mó­veis. Além das normas desenvolvidas pela ABNT, ele adota a mesma política do PEFC, Programme for the Endorsement of Forest Cer­ti­fi­ca­tion. A certificação PEFC foi cria­da em 1999, em caráter voluntário, com base em cri­té­rios pró­prios sobre proteção florestal na Europa e é reconhecida pela comunidade eu­ro­peia. No Brasil, o Cerflor tem o Inmetro como organismo que acredita as certificadoras e gerencia a qualidade do programa.
As duas certificações são extremamente parecidas e pos­suem duas ca­te­go­rias prin­ci­pais: o manejo florestal e a ca­deia de custódia. A pri­mei­ra refere-​­se à floresta pro­pria­men­te dita, enquanto a segunda envolve a ca­deia produtiva que utiliza ma­te­rial certificado. Segundo dados da As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra de Celulose e Papel (Bracelpa), dos 6,3 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil, 50% estão certificados: 2,25 milhões pelo FSC e 1 milhão pelo Cerflor. O número de estabelecimentos gráficos certificados ain­da não é grande, mas também vem crescendo devido à exigência dos clien­tes. A diferença entre o número de gráficas certificadas Cerflor é pequena em relação ao número das certificadas FSC. Contudo, algumas empresas optam por ter ambas, pois desejam atender clien­tes que exijam qualquer uma delas.
As gráficas que pretendem obter o FSC ou o Cerflor só podem fazê-​­lo segundo os cri­té­rios da ca­deia de custódia. Nesse tipo de certificação, a gráfica deve garantir o controle da procedência do papel adquirido, do manuseio e do ras­trea­men­to da matéria-​­prima utilizada no processo produtivo. Embora elas não impactem diretamente o processo produtivo de impressão, elas permitem que o produto final possua a identificação da certificação, me­dian­te a utilização de papel certificado. Isso garante a con­ti­nua­ção do fornecimento do serviço gráfico, por atender às novas exi­gên­cias do mercado, além de con­tri­buir para o uso responsável dos recursos na­tu­rais.

Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz é tecnóloga em produção gráfica, formada pela Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e pós-graduada pela Fundação Vanzolini em qualidade e produtividade. Na ABTG é responsável pelas atividades do Organismo de Normalização Setorial, ONS27.

Texto publicado na edição nº 74