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A flexografia avança impulsionada pelo uso da tecnologia de ponta Imprimir E-mail
Escrito por Elisabete Pereira   
Sáb, 21 de Agosto de 2010

A administradora de empresas Ana Carina Marcussi, presidente executiva da Associação Brasileira Técnica de Flexografia, Abflexo/FTA Brasil, garante que o País está entre os melhores do mundo em impressão flexográfica. “Nossa qualidade é comparada à da Europa e superior à dos Estados Unidos”, enfatiza.
Representante comercial do Grupo Furnax e proprietária da Flexocom, Ana Marcussi aponta alguns desafios a serem vencidos pelo setor, como maior agilidade na produção com redução de custos 
fabris e controle do processo de fabricação.

Como a senhora avalia o crescimento da flexografia no Brasil? No ranking geral dos impressos de flexografia no mundo, que posição o País ocupa?
Ana Marcussi
– Não existe um ranking global que nos mostre essa posição claramente; contudo, o que temos visto é que há um crescimento do uso da flexografia, tanto em banda larga quanto em banda estreita. Como o processo flexográfico evoluiu bastante nos últimos anos, principalmente em tecnologia, hoje é uma opção excelente de impressão para embalagens, rótulos e etiquetas, entre outros produtos. A flexo vem conseguindo imprimir produtos que até então eram feitos somente em rotogravura ou offset. Exemplo disso são as embalagens que exigem alta qualidade e que antes só era possível imprimir na roto. Em rótulos e etiquetas, também, muitos casos que antes usavam offset e serigrafia migraram para a flexo. O avanço da flexo deve-​se à alta qualidade, melhores custos, processos industriais e materiais mais sustentáveis. Dos três segmentos de aplicação dessa tecnologia, a flexo tem maior atuação no de rótulos e etiquetas e caixas de papelão ondulado. Em flexíveis, a rotogravura ainda abrange uma área maior, porém isso também é um bom sinal, ou seja, significa que podemos ganhar mais e mais espaço. Em qualidade, o Brasil está entre os melhores do mundo em impressão flexográfica, se não é o melhor. Nossa qualidade é comparada à da Europa e superior à encontrada nos Estados Unidos. E a tecnologia é a grande responsável pelo avanço da flexografia no País.

Qual é hoje o percentual no Brasil e no mundo dos impressos feitos em flexografia?
AM – Não existe uma estatística do setor, que fica entre plástico, papel, papel-​cartão e papelão ondulado. Em todas as palestras realizadas por especialistas aqui no Brasil e fora, os gráficos apontam para a estagnação do processo offset e da rotogravura, cujo crescimento tem sido irrisório, segundo afirmam. No entanto, a curva ascendente da flexografia é muito grande e continua em crescimento no mundo. No exterior, as leis são mais rígidas na questão de segurança de alimentos e do meio ambiente, principalmente. No Brasil, essa realidade ainda não chegou; aqui praticamente não existe impressão à base de água para embalagens flexíveis. O que existe no País em termos desse tipo de impressão à base de água é para etiquetas e embalagens de papelão ondulado (neste caso, 100% da impressão utiliza esse método).

Qual o futuro da flexografia?
AM
– Atualmente, os preços dos equipamentos de flexografia estão muito parecidos com os de rotogravura. Lá atrás, o investimento em uma máquina para a produção de embalagens flexíveis em flexo era muito baixo e em roto, muito alto. Hoje, não é mais. O preço de uma máquina flexográfica muito boa, sem engrenagens, totalmente eletrônica e com alta tecnologia quase se equipara ao de uma impressora em rotogravura. Na verdade, essa é que perdeu valor comercial. A flexo cresceu demais no Brasil e de forma muito rápida. Estima-​se que existem atualmente, no País, mais de 11 mil indústrias de plástico, que envolvem a flexo e a rotogravura.

Qual será o grande desafio para a flexografia nos próximos anos?
AM
– O apelo ecológico é o grande desafio da flexografia, bem como dos demais processos de impressão. Hoje, a maior parte da impressão em flexo banda larga é feita com tintas à base de solvente. Em flexografia, a banda larga representa o volume maior, em toneladas, e uma grande demanda, em quantidade. A grande dificuldade das empresas, seja em roto ou em flexo, é o uso de tinta à base de solvente. Há ainda a questão dos plásticos. O uso do plástico biodegradável é baixo: pouquíssimas empresas o utilizam porque ele é muito caro. Faltam cultura e leis mais rígidas para incentivar o uso da impressão à base de água ou outra que não cause tanto dano ao meio ambiente, como a tinta EB (cura por feixe de elétrons) e materiais mais sustentáveis. Mas esse movimento já começou, 
não só na flexografia.

Quais são as principais metas da flexografia atualmente?
AM
– Redução de desperdícios, para diminuição dos custos fabris, melhoria contínua de qualidade de impressão e estabilidade de padrão de qualidade. Tudo isso está voltado ao controle total do processo e exige investimento em mão de obra mais qualificada, treinamento, conhecimento e equipamentos de inspeção e medição.

Como a senhora enxerga a concorrência entre rotogravura e flexografia?
AM
– A rotogravura é um processo mais antigo e tradicional e, por isso, mais conhecido pelas empresas que usam embalagens. A melhora de qualidade em flexografia aos poucos vai ecoando nos clientes finais e isso, com certeza, trará mais volume para a flexografia a médio e longo prazos. O apelo ambiental e com relação à sustentabilidade faz com que a flexografia cresça frente à rotogravura.

Como será a aceitação das tintas UV e de cura por electron beam para as embalagens?
AM – As tintas UV oferecem melhor qualidade de impressão e mais brilho, mas causam maior impacto ambiental quando comparadas à cura por EB, que ainda está em fase de desenvolvimento no mundo. Sua vantagem é a possibilidade de eliminar a laminação e a menor geração de compostos orgânicos voláteis, além da melhoria na qualidade de impressão. O desafio enfrentado são os custos, ainda muito altos.

Quais as regiões de maior potencial para a flexografia no Brasil?
AM
– O Sul e o Sudeste têm um maior volume atualmente. Nessas regiões estão os estados com maior modernização e conhecimento técnico e tecnológico. São Paulo vem em primeiro lugar, seguido por Santa Catarina. A tecnologia electron beam já chegou em São Paulo, na Antilhas, a primeira gráfica a desenvolvê-​la no País. Com certeza, outras empresas devem estar correndo atrás disso. O Nordeste também se destaca, devido ao alto consumo. A região está crescendo muito em volume, protegida pelo governo e impulsionada pelo aumento do poder aquisitivo da população.

A tecnologia de clichês digitais está consolidada no Brasil ou é apenas uma realidade do Sul e Sudeste?
AM
– Embora seja uma gravação que economiza tempo, porque é feita diretamente na chapa, dispensando o uso do fotolito, essa tecnologia é uma realidade plena no Sul, Sudeste e também no Centro-​Oeste. No Norte e no Nordeste ainda não.

A disseminação de sistemas em linha para o enobrecimento de impressos feitos em offset e impressão digital pode representar uma ameaça à expansão da flexografia?
AM
– De certa forma, sim. Porém, vejo a impressão digital como complementar à flexografia em produtos personalizados, de pouca tiragem. No Brasil, sabemos que 80% das empresas são de pequeno e médio porte, o que significa que existem muitos produtos com pouca tiragem. E também no Brasil os produtos são muito regionalizados. Portanto, há pedidos que não justificam a impressão em flexografia, devido ao custo dos insumos, do setup e da impressão em si. Em um futuro breve, acredito que as empresas terão também a impressão digital para atender à demanda de alguns itens dos clientes. Isso não deve ser enxergado como concorrência e sim como uma tecnologia complementar, uma nova possibilidade de negócios.

A senhora acredita que a flexografia seguirá a mesma tendência do offset, que absorveu os birôs de pré-​impressão? As clicherias serão absorvidas pelos convertedores?
AM
– Não acredito nessa possibilidade, pois são muitos convertedores médios e pequenos, e a tecnologia de clicheria ainda é muito cara. É um investimento contínuo, que exige altíssimo nível da mão de obra e controle. É bem mais barato para o convertedor fazer parceria com uma clicheria para que seja atendido plenamente em suas necessidades. No Brasil as clicherias possuem um ótimo 
nível técnico.

Quais as grandes dificuldades do convertedor de papelão ondulado?
AM
– É um mercado bem consolidado e as empresas têm dificuldades diferentes dependendo do seu porte. Em comum há o desafio da melhoria contínua na qualidade da impressão. Nas grandes empresas os investimentos são altos. Já no segmento coberto pelos pequenos e médios negócios, com a chegada das máquinas asiáticas no Brasil, foi possível elevar muito o nível de qualidade do produto final, com redução dos custos de fabricação. A dificuldade de todos ainda é o conhecimento técnico e investimentos em mão de obra e capacitação.

O que é importante hoje para se fazer um bom impresso em flexografia?
AM
– Ter um bom controle do processo, pois a flexo apresenta muitas variáveis. É necessário utilizar tecnologia de ponta, já que a flexografia chegou onde está muito por conta da tecnologia, que evoluiu muito, e de profissionais capacitados.

Quais as competências exigidas de um profissional para atuar no mercado de flexografia?
AM
– Conhecimento técnico, experiência e cabeça aberta para aprendizados e novas tecnologias.


Abflexo quer melhorar nível técnico do setor
À frente da presidência executiva da Abflexo, Ana Carina Marcussi tem um foco: trabalhar no sentido de ampliar e melhorar o nível técnico da flexografia no Brasil, que é o principal objetivo da entidade. Dentro desse escopo, uma das ações para 2010 é a continuação de cursos técnicos para o chão de fábrica (supervisores, operadores e ajudantes) e para o pessoal de impressão em plástico, papelão e etiquetas. Também está sendo preparada mais uma edição do Prêmio Qualidade Flexo, que premia, separadamente, as classes e categorias Etiquetas, Plástico, Papelão Ondulado e Papel, e cujos ganhadores serão divulgados em uma festa que ocorrerá na primeira semana de dezembro. “Nossas atenções também estão voltadas para a Conferência Internacional de Flexografia, que reúne profissionais de todo o mundo”, conta Ana Marcussi. O evento é realizado a cada dois anos e está marcado para 1-º e 2 de setembro de 2011.

Texto publicado na edição nº 73