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Entendendo a família PDF/X por dentro: o que é o Output Intents? Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Sáb, 01 de Março de 2008

Nessa ferramenta do PDF/X são registradas as condições de impressão do arquivo

Em 2003, a ABTG fez o lançamento da cartilha PDF/X-1a, baseada na norma internacional NBR ISO15930-2 (Graphic Technology – Prepress Digital Data Exchange – Use of PDF – Part 1: Complete Exchange Using CMYK Data – PDF/X-1a)O resultado foi um estrondoso sucesso com uma adoção maciça por parte do mercado brasileiro. Em novembro de 2007 foi lançada a cartilha do PDF/X-3, baseada na Norma Internacional NBR ISO15930-3 (Graphic Technology – Prepress Digital Data Exchange – Use of PDF – Part 3: Complete Exchange Suitable for Colour-Managed Workflows – PDF/X-3), que já se consolidou na Europa e nos Estados Unidos como formato mais utilizado na troca de arquivos para impressão, em fluxos de trabalho com suporte a gerenciamento de cores.

E qual é o principal segredo para o sucesso dos formatos PDF/X? O que dá às normas internacionais da família PDF/X uma enorme flexibilidade e confiabilidade? A resposta está em uma implementação que foi feita pela ISO, denominada Output Intent. Neste artigo, veremos por que essa característica faz o PDF/X se diferenciar radicalmente de um PDF comum e por que ela garante a boa funcionalidade da norma e seu sucesso nos mercados do mundo.

O jogo das normas internacionais

Podemos preparar documentos para serem impressos de duas maneiras: levando em consideração as condições em que se dará a sua impressão ou não. Toda vez que um documento é criado ele deve visar um sistema de saída, ou seja, tinta, papel e processo. Observar o documento em um monitor sem se saber em qual processo será impresso, quais tintas serão utilizadas e sobre qual suporte se dará a impressão faz com que não se tenha nenhuma idéia de qual será sua aparência final e de como o sistema poderá simular tal aparência.

Ao contrário, um designer ou publicitário, com conhecimentos de produção gráfica, pode definir desde o início do processo que sua peça gráfica será impressa em uma das seguintes condições de impressão:

Processo: offset plano, definido pela norma internacional NBR ISO 12647-2:2004 (Graphic Technology – Process Control for the Production of Half-Tone Colour Separations, Proof and Production Prints). Essa norma define as condições de impressão, assim como se refere a um conjunto de tintas específico, ou seja ISO 2846-1:2006.

a) Parte 1: Parâmetros de processo e métodos de ensaio
b) Parte 2: Offset plano e offset rotativo heatset
c) Parte 3: Offset rotativo coldset para jornal
d) Parte 4: Gravura (rotogravura) editorial
e) Parte 5: Silk screen (serigrafia)
f) Parte 6: Impressão flexográfica
g) Parte 7: Impressão digital

Tintas de impressão: serão utilizadas tintas padronizadas pela norma internacional ISO 2846-1:2006 (Graphic Technology – Colour and Transparency of Printing Ink Sets for Four-Colour Printing). Nesta norma são definidas as características colorimétricas dos chapados das cores de processo (CMYK) assim como as resultantes de sobreimpresão (RGB).

a) Parte 1: Offset plano e offset rotativo heatset
b) Parte 2: Offset rotativo coldset para jornal
c) Parte 3: Gravura (rotogravura) editorial
d) Parte 4: Silk screen (serigrafia)
e) Parte 5: Impressão flexográfica

Papel: a definição do tipo de papel a ser utilizado é uma questão mais complicada por diversos motivos:

a) a norma NBR ISO 12647, em sua parte 1, define cinco tipos de papel. Eles são: tipo 1 – couché brilho; tipo 2 – couché matte; tipo 3 – couché LWC; tipo 4 – papel offset sem cobertura e tipo 5 – papel offset sem cobertura ligeiramente amarelado.
b) a classificação acima, além de ser muito pobre em termos de possibilidades de papel, estabelece tolerâncias que fazem com que muitos dos papéis fabricados no Brasil fiquem fora da norma.

c) Os papéis fornecidos pelos fabricantes do mundo todo são controlados pelas normas de fabricação Tappi. Essas normas se preocupam com as características físico-químicas do suporte e não com as características que determinam a printabilidade e o controle de cores do impresso final.
d) Os papéis fornecidos pelos fabricantes têm variações entre lotes, em geral, além das tolerâncias normativas, e às vezes até entre resmas diferentes. Uma vez que a cor e printabilidade do suporte têm influência determinante nas cores obtidas no processo gráfico, qualquer variação do suporte pode comprometer a estabilidade e a conformidade de toda a cadeia de fornecedores gráficos.

O PDF/X

Quando se prepara um documento qualquer para ser impresso devemos, portanto, ter em mente quais serão as condições em que ele será impresso. A condição de impressão deverá ser a mesma para todos os elementos textuais e gráficos encontrados no documento: logos, textos, efeitos e imagens importadas. Ao produzirmos um arquivo de saída tipo PDF/X essa condição de impressão fica registrada internamente no campo Output Intent Condition.
Englobando o processo, tinta e suporte o Output Intent inclui o TVI (tone value increase ou ganho de ponto) e o Total de Tinta ou TAC (total area coverage), assim como o resultado de centenas de combinações das cores de processo que se podem obter naquelas condições de impressão. Algumas condições de impressão conhecidas do público são a SWOP (CGATS TR001), Fogra27, GRACoL, etc.

Em todo documento PDF/X a condição de impressão deve ser registrada no campo Output Intent. Se o arquivo for um CMYK (PDF/X-1a), todas as separações de cor de RGB para CMYK devem ter sido feitas previamente. É responsabilidade do autor do arquivo garantir que as condições de impressão nos ajustes de cor de seu Photoshop sejam as mesmas do campo Output Intent de seu PDF/X-1a resultante.

A estrutura Output Intent

Um Output intent contém várias informações e, entre essas, as mais importantes são (mutuamente exclusivas):

a) Output condition identifier. O nome do Output Intent é dado por esse campo e é definido como “output condition identifier”. Normalmente em RIPs e fluxos de trabalho automáticos, esse campo é lido e interpretado a fim de ser escolhida a maneira de lidar com as informações de cor do PDF/X.
b) ICC color profile. Em alguns casos o Output Intent do PDF/X pode incluir um perfil ICC: neste caso, ou o arquivo inclui cores definidas de maneira device independent (como RGB com perfil ICC ou Lab) ou a condição de impressão não é uma daquelas definidas nos registros do site do ICC, www.color.org.

Os usos do Output Intent

O Output Intent pode ser utilizado de diversas maneiras:

Preflight
Uma vez que as condições de impressão para o qual foi preparado o arquivo PDF/X ficam claras com o uso do Output Conditions, isso facilita em muito as aplicações de preflight que podem assim verificar a consistência dos dados de cor internas do arquivo.

Provas
Na gráfica, isso permite à pré-impressão fazer provas digitais do arquivo PDF/X-1a mesmo que esse não tenha sido preparado para as condições da gráfica. O sistema de provas converte das condições preparadas para o PCS (espaço neutro do gerenciamento de cores — em geral Lab) e posteriormente para o CMYK da prova, de acordo com o perfil ICC da mesma.
Essa simulação permite que se evitem problemas posteriores com o arquivo.

Cores device independent

Se o PDF/X contiver objetos definidos em espaços de cores device independent — como RGB com perfil ICC ou Lab ou CMYK —, com perfil de cores diferente do Output Intent, os perfis embutidos provêm os dados, definindo a compressão tonal e de gamut (durante a ripagem na conversão, espaço independente para o espaço do processo CMYK) e a forma de geração do canal do preto (UCR ou GCR). Visto dessa maneira, através da presença do Output Intent todo arquivo PDF/X-3 pode ser pensado como sendo um CMYK “virtual”, pois lá estão todas as informações para que este seja convertido adequadamente.
Um dos cuidados das aplicações é respeitar os perfis anexados às imagens para a produção de dados de CMYK “virtual”, pois duas imagens no mesmo arquivo, ambas definidas no mesmo espaço (por exemplo RGB), podem ter dois perfis diferentes anexados em cada uma.

Conclusão

O conhecimento desse mecanismo básico dos elementos da família ISO 15930, ou seja da família PDF/X, facilita e muito a adoção do padrão e a expansão de todas as potencialidades inerentes à norma. A família está prestes a crescer, ganhando dois novos membros, ambos derivados do PDF/X-3, aquele PDF/X que admite elementos não CMYK: o PDF/X-4, que é baseado no PDF 1.6 e permite o uso de layers e transparência, e o PDF/X-5 que possibilita os mesmos recursos, mas terá a possibilidade de ter elementos externos ao arquivo como, por exemplo, os perfis ICC.
Fica claro então que potencializar o uso do PDF/X, permitindo preparar arquivos que imprimam de modo previsível e consistente e que ainda ajudem o preflight e as provas nas gráficas, é receita de sucesso e rentabilidade no workflow gráfico.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré-Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-graduação da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.