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Determinação de valores-alvo de cor, de acordo com a ISO 12647-2 Imprimir E-mail
Escrito por Jürgen Seidel   
Sex, 20 de Agosto de 2010

Muito já se publicou sobre a norma internacional para impressão em offset, a ISO 12647-​2, e existem várias fontes na internet que oferecem informações a respeito do assunto. Este material procura lançar um olhar mais atento sobre os valores-​alvo de cor da norma.

L*a*b* e o valor da densidade
Os valores de densidade, que são muito importantes para que o operador de impressão possa medir as condições de entintamento, não são parte da norma internacional. Na prática, alguns impressores trabalham com certas densidades recomendadas, relativas a diferentes tipos de papel, mas essas recomendações não são vinculadas a aparências visuais ou colorimétricas. A razão é óbvia: não obstante as tintas offset serem produzidas em conformidade com a norma ISO 2846-​1, a maioria dos parâmetros especificados na norma não pode ser aplicada na prática. As especificações da tinta em relação à transparência e às coordenadas de cores de uma determinada espessura da camada só podem ser determinadas em laboratório. Além disso, é sabido que diferentes tintas produzidas em conformidade com a norma ISO 2846-​1 produzem valores de L*a*b* diferentes com valores de densidade similares. Essa é a razão pela qual a ISO 12647-​2 só recomenda valores de cor L*a*b*, independentemente das densidades previstas. Isso, no entanto, significa na prática que os valores de densidade, necessários para o controle da impressão, devem ser determinados posteriormente.


Determinação do entintamento ideal
A tolerância máxima permitida para se estar em conformidade com a norma ISO 12647-​2 é de Delta E 5 para as cores primárias (CMYK) em relação aos valores-​alvo de cor. Para a determinação de valores ótimos de cor são necessários, pelo menos, um densitômetro e um espectrofotômetro (se possível, combinados em um único dispositivo). Há diversos dispositivos de medição com conexão para um software de gestão de cores, como, por exemplo, o Spectro-​Dens e o ColorGuide, da Techkon.
O primeiro passo é imprimir uma sequência de chapados de cores. Isso significa que o impressor começa pelas cores individuais (por exemplo, o magenta) com uma espessura muito elevada do filme de tinta e, gradualmente, reduz essa espessura durante a impressão até chegar a um nível bastante baixo. Com isso, consegue cobrir um amplo espectro de densidades da tinta nas folhas de teste. Esse espectro deve ser usado para encontrar a densidade daquela cor, no caso o magenta, que possui as melhores coordenadas de cores possíveis, em relação aos alvos da norma ISO 12647-​2. Isso, no entanto, é um pouco complicado.
Antes de mais nada deve-​se escolher uma gama relativamente ampla de densidades durante os testes de cores (por exemplo, de 1,20 a 1,75 para o magenta), com variação de valores entre as amostras de no máximo 0,02. Uma vez impressas as folhas de teste, inicia-​se a medição a partir daquelas com menores densidades; os valores medidos em pares de densidade e L*a*b* são inseridos em uma planilha à mão ou automaticamente, através de um software.
Depois, são calculadas as diferenças de cor em Delta E entre as amostras medidas e os valores-​alvo correspondentes da norma ISO 12647-​2, conforme tabela acima. As densidades correspondentes aos valores colorimétricos com menor Delta E são consideradas valores-​alvo de densidade a serem utilizados durante a impressão. Essa operação deve ser feita para as quatro cores de processo, CMYK. Se houver troca de tinta ou de papel, o processo todo deve ser repetido.


Influência da secagem da tinta
Um aspecto particularmente difícil para a determinação do valor-​alvo da cor é a secagem da tinta. Experiências em aplicações práticas têm demonstrado que as coordenadas de cor de uma tinta úmida podem mudar substancialmente após a sua secagem. Nesse caso devem ser analisados prévia e cautelosamente os valores L*a*b* da tinta úmida e depois seca. Os critérios da norma ISO são valores de cor exclusivamente de tinta seca. Isso significa que se deve conhecer os valores em conformidade com a norma ISO 12647-​2, seja quando a tinta estiver úmida ou quando estiver seca. Durante a produção, os valores utilizados serão aqueles de tinta úmida (N.T.: desde que não se esteja analisando uma máquina com tintas UV ou com sistema de secagem inline).
Para resumir, os impressores, quando utilizam tintas em conformidade com a norma ISO 2846-​1, devem ser capazes de atingir os alvos tonais de cor exigidos pela norma ISO 12647-​2. O maior cuidado deve ser dedicado às diferenças de cor entre tintas úmidas e secas e quanto às conclusões das densidades ideais.


Jürgen Seidel, consultor em Tecnologia 
de Impressão, Chemnitz, Alemanha.
Tradução autorizada de texto publicado em janeiro de 2010 no Printers’ Guide, produzido pela PrintPromotion

Texto publicado na edição nº 73